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Iluminação Exterior: 6 Decisões Para Jardins, Fachadas e Acessos

Iluminação exterior
Repare no que está escuro. É isso que faz os pontos de luz funcionarem | Imagem: ledyilighting.com

Passe de carro por qualquer bairro da Matola ao fim da noite e vai ver sempre a mesma coisa. Projectores brancos potentes apontados para a rua, a encandear quem passa. Fachadas lavadas de luz uniforme, sem relevo nenhum. Jardins onde se vê tudo e não se repara em nada.

O resultado disso é a conta de luz que sobe, os vizinhos que se queixam, e a casa à noite fica com ar de armazém.

O problema raramente é falta de luz, mas sim luz a mais, apontada para o sítio errado. A iluminação exterior bem resolvida usa menos luz do que a maioria das pessoas imagina, e é por isso que funciona.

O Que a Iluminação Exterior Devia Estar a Fazer

A DarkSky International, que trabalha a questão da poluição luminosa há décadas, resume a boa prática em cinco princípios bastante simples:

  1. Usar luz só onde é precisa;
  2. Dirigir a luz para que caia apenas onde é precisa;
  3. Nunca pôr mais brilho do que o necessário;
  4. Usar luz só quando é precisa, com temporizadores e sensores;
  5. Preferir luz de tom quente, limitando o azul.

Quando você lê estes 5 pontos, parecem óbvios, mas olhe para os projectores que andam cheios por aí no muros de vedação e conte quantos destes cinco pontos se cumpre.

As seis decisões que se seguem são a forma de pôr isto em prática num jardim, numa fachada e num acesso. Todas se tomam no projecto, antes de alguém abrir vala para passar cabo.

6 Decisões Para Jardins, Fachadas e Acessos

1. Decidir o que fica escuro

Esta é a decisão que separa um projecto de iluminação exterior de um punhado de lâmpadas espalhadas aleatoriamente.

À noite, o olho vai ao que está mais claro. Se tudo estiver igualmente iluminado, não há para onde olhar e o espaço exterior desaparece. Se houver três ou quatro pontos de luz e o resto em penumbra, aparece desenho marcando a copa de uma árvore, a textura de um muro, o caminho que leva à porta.

A escuridão não é a ausência do projecto, mas sim material de projecto, e é de graça.

Comece pelo contrário do habitual. Em vez de perguntar onde pôr luz, pergunte o que quer que se veja quando chegar a casa às 20 horas.

2. Baixar a quantidade, quase sempre

O olho humano adapta-se à penumbra. Depois de alguns minutos no escuro, uma quantidade pequena de luz chega perfeitamente para andar e para ver.

O que estraga essa adaptação é o contraste violento, geralmente causado por um projector forte no muro que obriga a pupila a fechar, e a zona imediatamente a seguir fica completamente negra para quem olha. Ganha-se um sítio bem iluminado e perde-se a visão de tudo o resto.

Em termos práticos, a iluminação exterior rende mais com luz baixa repartida por vários pontos pequenos do que com um projector grande. Compare pelos lúmen e não pelos watt, porque com LED os watt já não dizem nada sobre a quantidade de luz.

3. Esconder a lâmpada, mostrar o que ela ilumina

Na iluminação exterior, uma boa luminária é aquela em que não se vê a lâmpada, só o efeito.

O nome técnico disto é luminária com corte, que impede o feixe de sair para cima e para os lados. É o segundo princípio da DarkSky, e resolve três problemas de uma assentada. Acaba com o encandeamento, impede a luz de invadir a casa do vizinho e a via pública, e deixa de desperdiçar electricidade a iluminar o céu.

Na fachada, a regra prática é iluminar de baixo para cima apenas o que vale a pena mostrar, e manter a luz dentro do plano da parede. Projector apontado para fora da casa não ilumina a casa. Ilumina a cara de quem chega.

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A mesma parede, com a mesma potência. A diferença está em para onde aponta

4. Segurança é visibilidade, não brilho

Aqui a conversa costuma aquecer, por isso vale a pena ir à investigação. E a investigação não está toda do mesmo lado.

A DarkSky reúne estudos que põem em causa a ideia de que mais luz traz menos crime, entre eles um trabalho de Londres de 2011 e um relatório do National Institute of Justice de 1997, que concluía haver pouca confiança em que melhor iluminação previna crime (DarkSky, Lighting, Crime and Safety).

Do outro lado está o estudo mais bem desenhado que existe sobre o assunto. Chalfin, Hansen, Lerner e Parker montaram em 2016 uma experiência aleatorizada em Nova Iorque, com torres de iluminação instaladas em metade de oitenta bairros de habitação pública sorteados ao acaso. Encontraram uma redução de 59% nos crimes nocturnos ao ar livre, e de pelo menos 36% depois de descontarem a possibilidade de o crime se ter mudado para as ruas vizinhas (Chalfin et al., NBER, 2019).

Então a luz ajuda ou não ajuda? Ajuda, e muito, quando é iluminação pública bem distribuída. O que nenhum estudo sustenta é que um projector potente num muro torne uma casa mais segura. São coisas diferentes: uma cobre uma rua inteira de forma uniforme, a outra cria um ponto brilhante rodeado de sombras onde ninguém vê nada.

O objectivo é visibilidade, não brilho. É o mesmo raciocínio que está por trás das decisões de vedação de terreno: o que protege uma casa é poder ver-se o que ali se passa, não levantar barreiras nem apontar holofotes.

5. A cor da luz, e um mito que convém desfazer

Na iluminação exterior, a luz quente ganha quase sempre. Cai melhor sobre tijolo, madeira, pedra e vegetação, e a casa fica acolhedora em vez de clínica. A luz branca fria dá bem numa oficina, não dá na entrada de uma moradia. Os fundamentos da temperatura de cor estão explicados no nosso artigo sobre iluminação artificial, e para o caso do exterior valem igual.

Agora o mito. Ouve-se muito que a luz quente ou amarela atrai menos insectos. As nossas pesquisas mostram que a coisa não é bem assim. Num estudo publicado na revista Ecology and Evolution, Wakefield e colegas compararam lâmpadas de filamento, fluorescente compacta e dois LED, um branco frio e um branco quente. Os LED atraíram significativamente menos insectos do que os outros tipos, mas entre o LED frio e o LED quente não houve diferença significativa (Wakefield et al., 2016).

Ou seja, o que reduz insectos é passar a LED, não escolher o tom. Escolha o tom quente pelo conforto e pelo aspecto, que são razões que chegam bem.

6. Cabos, circuitos e quem liga a luz

Esta é a decisão que, se ficar para o fim, sai cara.

A iluminação exterior precisa de cabo enterrado, caixas de passagem e circuitos. Decidido junto com o projecto de paisagismo, é uma vala aberta antes de assentar o pavimento e plantar. Decidido depois, é levantar pavimento e estragar canteiros. Vale a pena fechar isto quando se planeia o jardim e o exterior da casa.

Três pontos a fechar no desenho:

  • Zonas separadas. O caminho de entrada, a zona de estar e a fachada não têm de acender ao mesmo tempo nem com a mesma intensidade. Um só interruptor para tudo é o sinal de que não houve projecto.
  • Temporizador e sensor. É o quarto princípio da DarkSky. A luz do portão não precisa de estar acesa às três da manhã, e a de serviço só precisa de acender quando alguém passa. Se a casa tiver sistema de domótica, isto entra no mesmo painel.
  • Acesso para manutenção. Luminária enterrada num canteiro acaba tapada por vegetação em dois anos. Luminária no topo de uma parede alta obriga a escada sempre que a lâmpada falha, o que é a mesma lógica dos custos de manutenção que se decidem no projecto.

Confirme também o grau de protecção das luminárias de exterior, o chamado IP. Lá fora apanham chuva, poeira e, perto da costa, maresia.

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A hora de decidir a luz do jardim é esta, com a vala ainda aberta

Perguntas Frequentes

Quantos pontos de luz precisa um jardim médio? Menos do que parece. Vale mais escolher três ou quatro elementos que merecem ser vistos do que distribuir luminárias por todo o terreno.

Iluminação solar de jardim compensa? Resolve bem caminhos e marcação de limites, onde a exigência é baixa. Para iluminar uma árvore ou uma fachada costuma ficar aquém, e a autonomia cai muito depois de dias nublados.

A iluminação exterior incomoda os vizinhos. O que fazer? Quase sempre é questão de direcção e não de potência. Baixar o ângulo, pôr uma viseira ou trocar por luminária com corte resolve a maior parte dos casos sem perder iluminação nenhuma.

Posso iluminar a fachada inteira de forma uniforme? Pode, mas o resultado costuma ser plano e sem interesse. A fachada ganha quando a luz é rasante e deixa sombra, porque é a sombra que mostra a textura.

Menos Luz, Melhor Vista

A iluminação exterior é das poucas áreas do projecto em que gastar menos dá melhor resultado. No exterior, menos pontos, menos potência, luz dirigida para baixo e tom quente. O jardim fica mais bonito, a casa fica mais confortável, a factura baixa e os vizinhos agradecem.

E vale a pena repetir, porque é o ponto que mais custa a aceitar: o que torna um exterior seguro é ver-se bem, não brilhar muito.

Quer Ver a Sua Casa Bonita Depois do Pôr do Sol?

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Uma entrada bem iluminada é aquela onde não se vê nenhuma lâmpada

Na Arquimpact tratamos a iluminação exterior como parte do projecto, ao lado do jardim, dos acessos e da fachada. Isso quer dizer decidir o que se ilumina, de onde, com que intensidade e em que circuitos, antes de a vala ser aberta.

Fale connosco pelo WhatsApp e diga-nos se é obra nova ou casa já feita. Para o exterior todo, veja também como planear o jardim e as áreas de lazer.

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