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Varandas e Terraços: 6 Formas de Ganhar Espaço de Vida ao Ar Livre

varandas e terraços
Uma varanda com profundidade suficiente deixa de ser decoração e passa a ser sala

Há varandas e terraços em quase todas as casas novas de Moçambique. E repete-se sempre a mesma história: muitas delas não servem para nada. São estreitas demais. Cabe uma pessoa de pé, uma corda de roupa, dois vasos. No fim, a família usa aquele espaço como depósito, e o metro quadrado que se pagou para construir termina como uma armazém para guardar baldes.

A boa notícia é que isto não é um problema de gosto nem de orçamento, é um problema de dimensionamento e design. Varandas e terraços bem pensados são a forma mais barata de ganhar área de vida numa casa, tendo em conta que elas não precisam de paredes, nem de ar condicionado, nem de acabamentos caros.

Neste artigo, vamos ver a medida que decide se uma varanda é usada ou ignorada, as 6 formas de criar espaço ao ar livre, e os detalhes (sobretudo a impermeabilização) que separam um terraço que dura de um que mancha o tecto da sala.

A Medida Que Decide Tudo: a Profundidade da Varanda

Antes de falar de pavimentos, guarda corpos ou plantas, há uma medida que decide tudo: a profundidade. Varandas profundas demais são raras, principalmente e condomínios em altura. As estreitas demais são a regra na maioria edifícios. E a diferença entre as duas é de poucos centímetros.

O Apartment Design Guide de Nova Gales do Sul, na Austrália, é um dos documentos de referência mais claros nesta matéria e define mínimos por tipologia (NSW Apartment Design Guide, Parte 4):

Tipologia

Área mínima de varanda

Profundidade mínima

Estúdio

4 m²

—

1 quarto

8 m²

2 m

2 quartos

10 m²

2 m

3 ou mais quartos

12 m²

2,4 m

E há um detalhe revelador no mesmo documento: para efeitos de contagem de área, só conta a parte da varanda com pelo menos 1 metro de profundidade. Abaixo disso, que é o que vemos em muitos prédios de Maputo, o guia nem considera aquilo espaço utilizável.

Na prática, é isto que a profundidade lhe dá:

  • menos de 1 m — passagem e estendal, e não um espaço de estar
  • cerca de 1,5 m — cabe uma mesa pequena e duas cadeiras encostadas à parede
  • cerca de 2 m — cabe uma mesa com duas a quatro cadeiras, e ainda dá para passar alguém por trás
  • 2,4 m ou mais — dá para passar refeição em família, e ainda tem espaço para uma espreguiçadeira ou uma cadeira de rodas a girar com folga

O raciocínio é o mesmo num terraço: a área total impressiona menos do que a largura utilizável. Esta é a conversa a ter com o arquitecto antes de o projecto fechar — alargar no papel custa um desenho; alargar depois de a laje estar betonada custa uma obra.

6 Formas de Ganhar Espaço de Vida ao Ar Livre

Varanda não é só aquela laje saliente à frente da sala. É um espaço de convivência ao ar livre. E há pelo menos seis maneiras de criar espaço exterior numa casa, e cada uma resolve um problema diferente, tal como veremos a seguir.

1. A varanda de estar: a sala que continua para fora

É a mais pedida e a mais mal feita em muitas construções. Para funcionar adequadamente precisa de três coisas: profundidade suficiente, continuidade de piso com o interior e uma porta larga que se abra a sério. Uma porta de 70 cm a dar para uma varanda transforma-a numa varanda de olhar, não de estar.

2. O alpendre de entrada

O alpendre  (cobertura sobre a porta de entrada) é o elemento mais subestimado da casa moçambicana. Custa pouco e faz três coisas ao mesmo tempo: protege quem chega da chuva, impede que o sol bata directamente na porta e nas janelas e cria um lugar de espera com sombra.

3. O terraço na cobertura

Se a casa tem uma cobertura em laje, tem um terreno extra em cima, que geralmente é deixado vazio e desperdiçado. Um terraço na cobertura recupera essa área, muitas vezes com a melhor vista da casa. Vale a pena aproveita-lo.

Mas atenção: um terraço acessível não é uma laje comum. Muda a carga de utilização, a impermeabilização, o acesso e a necessidade de guarda-corpos. Tem de ser decidido durante a execução do projecto, de modo a preparar a estrutura, não a seguir.

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A laje de cobertura é um terreno extra que a maioria das casas desperdiça | Imagem: rooferdigest.com

4. O pátio interior

O pátio é a varanda virada para dentro: em vez de olhar para a rua, olha para o coração da casa. Traz iluminação e ventilação naturais para as zonas interiores que de outro modo ficariam escuras e quentes, e cria um exterior privado que os vizinhos não têm acesso visual.

5. O deck no quintal

Nem todo o espaço exterior tem de estar encostado à casa. Um deck no quintal (plataforma de madeira ou compósito, ligeiramente elevada do terreno) cria uma zona de estar onde antes havia somente chão. Funciona bem junto a uma piscina ou área de lazer e é a intervenção mais fácil de fazer numa casa já construída.

6. A varanda semi-fechada

Entre o interior e o exterior há um espaço intermédio que resolve o nosso clima melhor do que qualquer dos dois: coberto, protegido de lado por brise, lâminas de madeira ou treliça, mas aberto ao ar livre. Ganha-se sombra e privacidade e perde-se pouca ventilação. É a lógica que atravessa a arquitectura tropical e a razão pela qual as varandas antigas funcionavam tão bem sem uma única máquina de ventilação mecânica ligada.

Orientação e Sombra: 3 Decisões Antes de Desenhar

Uma varanda virada para o lado errado, ninguém usa e vira um gasto desperdiçado. É tão simples quanto isso. Por isso, antes de prosseguir com a construção e antes mesmo de colocar o primeiro traço no papel do projecto…

  1. Decida a orientação em função da hora de uso. Em Moçambique o sol de poente é o mais agressivo. Uma varanda ou um terraço virados a oeste ficam inutilizáveis exactamente ao fim da tarde, quando a família os quereria usar. A melhor solução é vira-los a leste, onde ganham a manhã e ficam em sombra à tarde.
  2. Dimensione a cobertura, não só a laje. É a pala, o beiral ou a pérgola que torna a varanda usável de dia. Sem sombra, a profundidade não serve de nada.
  3. Pense na chuva de lado. A chuva aqui vem com vento, e uma cobertura que protege na vertical não protege na oblíqua. É aí que entram as grelhas de betão, os brises e a vegetação — e, em zonas expostas, as precauções da construção resistente a ciclones.
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A sombra é o que transforma profundidade em conforto | Imagem: maison-bois-paca.com

Impermeabilização e Drenagem: Onde as Varandas Falham

Muitos ignoram esta parte parte. Ninguém quer ler sobre isto, no entanto, é a parte mais importante.

A infiltração em varandas e terraços quase nunca começa no material. Começa na geometria. A Building Practitioners Board do estado australiano de Victoria é directa: o mau desenho de varandas e a drenagem inadequada são a causa mais comum de entrada de água (BPC Victoria, nota de prática SD-02).

O que isso significa em concreto:

  • Pendente. O suporte estrutural e a impermeabilização têm de ter inclinação na direcção do ralo. A nota de Victoria fixa um mínimo de 1:80. Um terraço plano é um terraço que acumula água.
  • Ralo e extravasor. Um ralo não basta: é preciso um extravasor para quando ele entope, e abaixo do nível do piso interior (a nota aponta não menos de 20 mm), para a água sair por fora antes de entrar por dentro.
  • Soleira e rebordo. A soleira da porta e os rebordos nas paredes são a barreira final. É aí que a membrana sobe e termina — nunca ao nível do pavimento.
  • Atravessamentos. Cada prumo de guarda, tubo ou fixação que atravessa a membrana é uma porta aberta à água. Prumos encostados demais à parede tornam a impermeabilização quase impossível de executar bem, tam como aponta o The Construction Specifier.
  • A pendente vem antes do material. Como resume a Master Builders Association, a inclinação é a primeira linha de defesa; a membrana é a segunda (MBA Austrália).

E uma nota que vale ouro: em Victoria, o desenho do terraço ou da varanda (pendentes e drenagem incluídas) é responsabilidade do projectista, não de quem instala. Não é um detalhe de obra; é uma decisão de projecto.

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A membrana tem de subir na parede e a água tem de ter para onde ir. É aqui que se ganha ou perde a varanda | Imagem: bimcontent.com

Guardas, Pavimentos e Segurança: 4 Cuidados

  • Guardas. A altura e o espaçamento entre elementos são matéria de regulamento e de cálculo, não de gosto. Confirme-os com o arquitecto e com o engenheiro. E desconfie de guardas horizontais, que funcionam como escada para crianças.
  • Pavimento. Escolha um pavimento antiderrapante quando molhado, não quando seco: quase todos agarram em seco. Num terraço exposto, a escolha de materiais é decisiva — sol, chuva e maresia atacam tudo.
  • Desníveis. O degrau entre interior e exterior é bom para a água e mau para quem tem mobilidade reduzida. Uma grelha linear resolve os dois lados. Se há idosos em casa, veja também o guia design inclusivo para mais dicas.
  • Manutenção. Ralos entopem com folhas e areia. Marque uma verificação antes de cada época chuvosa: é meia hora que evita um tecto manchado.

8 Erros Comuns em Varandas e Terraços

  1. Profundidade abaixo de 1,5 m numa varanda que se quer de estar
  2. Porta estreita a separar a sala da varanda
  3. Varanda sem cobertura, num clima de sol forte
  4. Laje de varanda ou de terraço sem pendente para o ralo
  5. Um único ralo, sem extravasor
  6. Membrana terminada ao nível do piso, sem subir nas paredes
  7. Guardas fixadas depois da impermeabilização, a perfurá-la
  8. Terraço na cobertura decidido depois do projecto de estruturas

Perguntas Frequentes

Qual é a profundidade mínima de uma varanda para pôr uma mesa? Cerca de 1,5 m para uma mesa pequena com duas cadeiras. Dois metros se quiser quatro cadeiras e circulação por trás.

Posso transformar a laje da minha casa num terraço acessível? Às vezes sim, mas nunca sem verificação: muda a carga, a impermeabilização e a segurança. É uma avaliação estrutural, não uma decisão de gosto.

Vale mais fechar a varanda com vidro ou mantê-la aberta? Fechar ganha uma sala e perde uma varanda — e num clima quente ganha calor. A varanda semi-fechada costuma ser o melhor dos dois mundos.

Quanto custa acrescentar uma varanda ou um terraço a uma casa já construída? Depende da estrutura existente: uma varanda em consola exige reforço, um deck no quintal quase nada. Vale a pena avaliar antes de orçamentar.

O Metro Quadrado Mais Barato da Casa

Varandas e terraços são o espaço mais económico que pode construir: sem paredes, sem climatização, sem acabamentos caros. E são também o primeiro a ser arruinado por falta de centímetros ou por falta de pendente.

Se a casa está em projecto, esta é a hora de decidir as medidas. Se já está construída, há sempre espaço a recuperar (um deck, um alpendre, uma pérgola) e muito do que se aprende a aproveitar espaço em casas pequenas aplica-se igualmente ao exterior.

Quer Ganhar Espaço Exterior na Sua Casa?

Na Arquimpact desenhamos varandas, alpendres, pátios e terraços como parte do projecto e não como aquilo que sobra depois de a casa estar desenhada. Se está a projectar, acertamos as medidas antes de ser caro corrigi-las; se já tem casa feita, avaliamos que varanda ou terraço é possível acrescentar.

E se ainda está a decidir se vale a pena ter projecto, veja antes o que faz um arquitecto e quanto lhe pode poupar.

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