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ToggleJá reparou que, nos grandes filmes, os cenários contam tanta história quanto as personagens? É aqui que cinema e arquitectura se encontram.
Estreou recentemente nos cinemas o novo Mestres do Universo (2026), realizado por Travis Knight, que traz de volta ao grande ecrã o universo de He-Man, Skeletor e o planeta Eternia. E, para além da nostalgia dos anos 80, o filme esconde algo que nos entusiasma particularmente: uma verdadeira aula sobre a relação entre cinema e arquitectura.
Por trás dos castelos, cidades e mundos subterrâneos de Eternia está o trabalho do designer de produção Guy Hendrix Dyas — e as decisões que ele tomou têm muito a ensinar sobre como projectamos os espaços onde vivemos.
Neste artigo, vamos explorar 4 lições de design que este filme traz do mundo da fantasia… directamente para o mundo real. Vamos a isso?
Cinema e Arquitectura: Uma Relação Mais Próxima do Que Imagina
Antes das lições, vale a pena entender esta ligação.
No cinema, a arquitectura dos cenários não é decoração: é narrativa. Um castelo sombrio diz-nos quem é o vilão antes de ele abrir a boca. Uma cidade luminosa e ordenada transmite esperança. O espaço comunica emoções — exactamente como acontece nas nossas casas.
É por isso que cinema e arquitectura partilham a mesma pergunta fundamental: como é que um espaço faz as pessoas sentirem-se?
Quem projecta uma casa está, no fundo, a fazer o mesmo que um designer de produção: a criar o cenário onde a história de uma família vai acontecer.
Lição 1: Um Edifício Deve Contar a Sua Própria História
Um dos maiores desafios do filme foi reinterpretar o Castelo de Grayskull, a icónica fortaleza em forma de caveira. Segundo Dyas, em entrevista durante a produção, a abordagem foi tratar Grayskull como uma estrutura que evoluiu ao longo do tempo, construída em camadas — tal como os castelos reais, que são sempre “um castelo construído sobre outro castelo”.
Esta ideia é poderosa também fora do ecrã — e mostra como cinema e arquitectura partilham os mesmos princípios.
Os edifícios mais interessantes são aqueles que revelam camadas de história: materiais que envelhecem com dignidade, elementos que contam de onde vieram, espaços que guardam memória. Na prática, isto traduz-se em:
- Valorizar materiais naturais, que ganham carácter com o tempo (madeira, pedra, betão aparente)
- Preservar elementos originais em projectos de renovação, em vez de apagar tudo
- Pensar a casa como algo que vai evoluir com a família, e não como um produto acabado
Uma casa com história é uma casa com alma. E isso projecta-se desde o primeiro esboço.
Lição 2: O Contexto Define o Projecto
No filme, cada ambiente de Eternia foi pensado com uma lógica interna própria. O mundo subterrâneo de Subternia, por exemplo, foi imaginado como uma formação gigante semelhante a uma estalactite, com comunidades inteiras construídas na sua paisagem vertical — a arquitectura nasce do lugar, não é imposta sobre ele.
Esta é, talvez, a lição mais importante que o cinema e arquitectura partilham: o contexto vem primeiro.
No mundo real, isto significa que um bom projecto deve responder:
- Ao clima do local (sol, ventos dominantes, chuva)
- À topografia do terreno (plano, em declive, rochoso)
- À cultura e aos materiais da região
- Ao modo de vida de quem vai habitar o espaço
Uma casa desenhada para o nosso clima quente, por exemplo, pede varandas generosas, ventilação cruzada e protecção solar — soluções muito diferentes das de uma casa nórdica. Copiar projectos de outros contextos, por mais bonitos que sejam, raramente funciona.
Quer um projecto pensado de raiz para o seu terreno e o seu modo de vida? É exactamente assim que trabalhamos. Fale connosco.
Lição 3: A Silhueta Importa (E Muito)
Nesta relação entre cinema e arquitectura, a identidade visual é essencial. A equipa do filme fez questão de preservar as silhuetas e cores reconhecíveis das personagens e dos lugares icónicos, mesmo reinventando tudo o resto. Porquê? Porque a silhueta é identidade. Basta ver o contorno de Grayskull para saber onde estamos.
Na arquitectura real, acontece o mesmo. A silhueta de uma casa — o seu volume, a forma do telhado, a proporção entre cheios e vazios — é o que fica na memória de quem passa. É a “assinatura” do edifício.
Ao projectar, vale a pena perguntar:
- A forma da casa é reconhecível e coerente, ou apenas um amontoado de volumes?
- O perfil do edifício dialoga com a envolvente?
- Há uma ideia forte e clara por trás do desenho?
As casas memoráveis, tal como os grandes cenários de cinema e arquitectura icónica, têm quase sempre uma silhueta simples e forte — e não uma acumulação de detalhes desconexos.
Lição 4: Dar Peso e História aos Espaços
Ao longo de toda a produção, a preocupação central da equipa de design foi dar “peso” e “sensação de história” a cada ambiente — mesmo aos que aparecem apenas alguns segundos no ecrã. Cidades monumentais e espaços sagrados foram desenhados como lugares com raízes profundas.
E aqui está uma verdade que o cinema e arquitectura nos confirmam, e que defendemos em cada projecto: os espaços que nos emocionam são os que parecem ter alma.
No dia a dia de um projecto residencial, este “peso” constrói-se com:
- Materialidade honesta: texturas reais que convidam ao toque
- Luz natural bem trabalhada: a luz que muda ao longo do dia dá vida (e drama) aos espaços
- Proporções cuidadas: pés-direitos, aberturas e circulações pensadas à escala humana
- Detalhes com intenção: cada elemento existe por uma razão, não por acaso
É a diferença entre uma casa que parece um cenário genérico… e uma casa que parece o cenário da sua história.
Cinema e Arquitectura na Prática: O Que Isto Significa Para a Sua Casa
Pode parecer estranho ir buscar lições de arquitectura a um filme de fantasia. Mas a verdade é que o cinema e arquitectura sempre se alimentaram um do outro: os melhores designers de produção pensam como arquitectos, e os melhores arquitectos pensam como contadores de histórias.
Recapitulando as 4 lições de Eternia:
- Um edifício deve contar a sua própria história — camadas, memória e materiais com carácter
- O contexto define o projecto — clima, terreno e modo de vida em primeiro lugar
- A silhueta importa — uma forma clara e coerente é a identidade da casa
- Dar peso e história aos espaços — materialidade, luz e proporção criam alma
No fundo, a pergunta que Travis Knight e a sua equipa fizeram para Eternia é a mesma que fazemos para cada cliente: que história este espaço deve contar?
Pronto Para Escrever a História da Sua Casa?
A ponte entre cinema e arquitectura mostra-nos que todo o espaço pode — e deve — contar uma história. Se estas ideias despertaram algo em si — a vontade de ter uma casa com identidade, pensada para o seu contexto e para a sua vida — nós adoraríamos ouvir a sua história.
A nossa equipa de arquitectura e design cria projectos residenciais com alma, onde cada decisão tem uma intenção. Do primeiro esboço à entrega da chave.

















